O DIA SEGUINTE DEPOIS DO NOVO CORONAVÍRUS
Por ALEXANDRE BERTONCELLO – PROFESSOR DE ECONOMIA
As dimensões do impacto econômico por causa da COVID-19 vão ser catastróficas. A situação me faz lembrar do filme The Day After (1983), no qual as pessoas foram surpreendidas com o lançamento de mísseis nucleares e, com a chegada de outros mísseis que destruíram tudo, matando milhões. No entanto, diferentemente do filme que termina sem esperança, o Brasil pode ter um The Day After melhor e com mais esperança.
O primeiro passo é entender como seremos golpeados nesta crise, ou quais são os mísseis que atingirão nosso país. Nesse sentido, o primeiro passo é identificar onde mais sofreremos e, no caso da COVID 19 no Brasil é possível identificar três áreas que terão fortes impactos, o sanitário, as pequenas e médias empresas (PMES), e os governos.
No contexto sanitário o foco é preservar vidas. Por vários motivos os números no Brasil, até agora, são muito melhores do que o de países europeus e da américa do norte. Os infectologistas têm várias teorias: o clima, a densidade demográfica, a vacina BCG, e muitas outras, mas o fato é que com o uso de máscaras e o reforço na higiene pessoal, teremos resultados ainda melhores.
Outro impacto social forte que está em curso, acontecerá nas PMEs em todo o país, elas estão correndo o risco de desaparecerem aos milhares, pois a quarentena obrigou uma parcela significativa de empresas a suspenderem as atividades. PMEs têm algumas características: nelas seus empreendedores dependem da empresa para tirar seu sustento; normalmente são administradas de maneira informal e com pouca estrutura econômica e; as PMEs são responsáveis pela maioria dos empregos gerados no Brasil.
A queda significativa das atividades econômicas das PMEs, concomitantemente à ausência de planejamento financeiro delas, vai produzir um aumento agudo do desemprego em todo o país.
Devemos observar em particular, e com preocupação, o setor de serviço que representa quase 70% da criação de riqueza. Ele é composto por 80% de PMEs às quais correm um sério risco de não reabrirem, o que poderá levar o desemprego a 18%.
A última e mais perigosa onda, provém do governo. Os gastos anticíclicos, criaram um rombo nas contas públicas de aproximadamente R$ 500 bilhões no governo Federal. Parece muito? Vale lembrar que ainda não sabemos o impacto nos Estados e Municípios, que na sua maioria já estavam em condições econômicas difíceis que, com a paralização da economia ficaram insustentáveis. É urgente a necessidade de voltar ao trabalho, para evitar um mal maior.
A esperança é que toda a população se educou para o uso de máscaras e, para uma maior higienização, e desta forma, teremos menos contágios. Espera-se também que o Governo Federal entenda que as despesas são momentâneas e pontuais, para não gerar inflação, e que os Estados e Municípios olhem para os seus cidadãos e busquem a recuperação econômica. Assim, com a união e esforços de todos, teremos uma the day after melhor, e uma sociedade mais forte e responsável pelos seus atos.

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